Entrevista com Prof. Ricardo
Marcio Vinicius de Melo de Alvarenga
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Para começar, gostaríamos que você se apresentasse brevemente para quem não o conhece além da sala de aula.
Sou músico percussionista, toco e ensino teoria e prática em instrumentos da família da percussão em bandas marciais, sinfônicas, orquestras. Sou ligado à tecnologia do mundo dos games e acompanho desde os anos 1980, praticando e colecionando.

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Sabemos que você é músico. Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?
Sintonia.
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Como essa atividade entrou na sua vida? Foi algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?
Eu vim de São Paulo, nos anos 1980. Quando cheguei aqui, tive a oportunidade de tocar em bandas marciais e fanfarras de escolas. Foi aí que iniciei minha trajetória musical.
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Qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?
Conhecer instrumentos musicais que eu nem fazia ideia de que existiam, sentindo os seus timbres.

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Nesse começo, teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?
Tive incentivo da família e dos instrutores que tomavam conta das corporações.
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Tem alguma história engraçada ou um momento marcante que aconteceu por causa dessa atividade que você possa compartilhar com a gente?
Aprender a “Ordem Unida”, marchar e tocar o instrumento ao mesmo tempo. Não era fácil. Os mais velhos riam bastante vendo os “Descoordenados Novatos” tentando realizar as duas atividades ao mesmo tempo. Mas também davam bronca.
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Com que frequência você consegue se dedicar a isso? Como você equilibra a prática com a rotina de aulas, correções e o dia a dia?
Na minha rotina como professor de Arte, no período da manhã, procuro realizar todas as atividades burocráticas da escola na minha hora-atividade, mas também levo algum trabalho pra casa e resolvo nos finais de semana. Em casa tenho, uma sala, estúdio, com meus instrumentos de percussão, onde prático no período noturno. Aos sábados à tarde, eu vou dar aulas nos projetos musicais da nossa cidade e da região e saio pra tocar com grupos musicais, dependendo da necessidade deles. No período da tarde, eu sou Educador Musical em uma escola particular da região.

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O que o motiva a manter essa rotina alternada? O que faz você não desistir mesmo nos dias mais cansativos?
Esse foi o caminho que escolhi pra minha vida. Quando comecei, eu passei por diversos momentos bons e ruins e tive a consciência de que na minha jornada esses dois caminhos se cruzariam algumas vezes.
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Você sente que essa atividade ajuda a ser um professor diferente? Ela reflete de alguma forma na sua maneira de dar aula?
Sim, principalmente nos sentidos, embora eu faça uso de óculos, a minha visão é detalhista e a minha audição é bem apurada. Isso me ajuda no meu dia a dia a perceber coisas que, normalmente, pessoas normais percebem de outro jeito. Isso ajuda a lidar com mais tranquilidade quando dá exposição das aulas e no trato com os alunos.
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Para você, essa atividade funciona como uma “válvula de escape” para se desligar das preocupações diárias?
Não, não é uma válvula de escape, pois faz parte do meu dia a dia também (sou formado em Música pela UEL e em Artes Visuais pelo Centro Universitário de Araras “Dr. Edmundo Ulson” – UNAR).
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O que você sente, no corpo e na mente, quando está totalmente imerso na atividade? É um momento mais relaxante ou de pura adrenalina?
Quando estou muito concentrado, tocando, o tempo passa a ficar relativo pra mim. As horas passam e quando me dou conta parece que entrei em um lapso temporal, pois não percebo ele passar. É uma sensação muito boa tocar um instrumento musical.

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Você acha que a música reflete traços da sua personalidade? Ela ajuda a aprender coisas novas que você não aprenderia no trabalho?
Com certeza, ajuda, pois, já foi provado pela neurociência que quem prática música desenvolve mais o cérebro, ativando partes que pessoas que não praticam música não desenvolvem.
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Você acredita que todo mundo nasce com um dom, ou isso é algo que a gente constrói? Como as pessoas podem se descobrir nesse sentido?
Desmistificando essa questão, todas as pessoas têm condições de aprender música, basta estarem sendo musicalizadas desde a tenra idade, construindo com o tempo. É preciso que os pais se envolvam no processo e incentivem as crianças desde pequenas.
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Que conselho ou incentivo você daria para quem quer começar uma atividade como essa, mas ainda não teve coragem?
Muito estudo teórico e prático, buscar atualizar-se de tempos em tempos, estar presente nos meios artísticos que envolvam outros tipos de arte e perseverar, pois, é um mercado restrito e competitivo. Conseguir se encaixar nesse nicho exige muita paciência.
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