Doçura que vem da alma

Entrevista com a Prof.ª Cássia

Julia Rossini Nunes, Mel Emanuele Coutinho e Sabrina Brito de Santana

Para começar, gostaríamos que você se apresentasse brevemente para quem não a conhece além da sala de aula.
Sou a Cássia, Professora de Geografia no CCM Villanueva. Nos momentos de folga, gosto muito de cozinhar, especialmente preparar doces e bolos.

Sabemos que você é confeiteira. Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?
A palavra seria alegria, porque cozinhar, especialmente fazer doces e bolos, me traz uma grande sensação de satisfação. Fico muito feliz ao preparar algo e ver as pessoas apreciando aquilo que fiz com carinho.

Como essa atividade entrou na sua vida? Foi algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?
Essa atividade entrou na minha vida desde a infância. Eu via minha mãe fazendo doces e sempre a admirava muito. Lembro que pensava: “quando eu crescer, quero fazer igual a ela”. Com o tempo, esse interesse foi crescendo. Hoje em dia, com as redes sociais, temos acesso a muitas receitas e técnicas diferentes, e isso desperta ainda mais a minha curiosidade de testar coisas novas.

Qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?
Uma das memórias mais marcantes foi no aniversário de 2 anos da minha filha. Eu queria muito fazer os docinhos da festa, então, fui até a biblioteca pública e comecei a pesquisar receitas na estante de revistas de culinária. Passei a tarde inteira anotando receitas. No dia seguinte, fui para a cozinha colocar tudo em prática. Eu queria muito aprender a fazer um doce caramelizado e cheguei a gastar cerca de cinco quilos de açúcar até acertar o ponto (risos). Mas, no final, consegui, e a sensação foi de muita satisfação.

Nesse começo, já teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?
Desde o começo, sempre tive muito incentivo da minha família. Eles sempre acreditaram em mim e são os primeiros a experimentar tudo o que eu faço. Esse apoio foi muito importante, porque me deu confiança para continuar aprendendo, testando receitas e aprimorando cada vez mais minhas técnicas.

Tem alguma história engraçada ou um momento marcante que aconteceu por causa dessa atividade?
(Risos) Uma história bem engraçada aconteceu no aniversário de 4 anos do meu filho. Ao lado do bolo, eu tinha colocado balas de coco enroladas em papel crepom. Na hora de apagar a velinha, não sei exatamente como, ela caiu e o papel começou a pegar fogo. O mais curioso foi a reação das pessoas: em vez de correrem primeiro para apagar o fogo, começaram a salvar os docinhos! Cada um pegava um punhado para não “perder” as balas. No meio da correria, alguém finalmente apagou o fogo e, no final, virou motivo de muitas risadas.

Com que frequência você consegue se dedicar a isso? Como equilibra essa prática com a rotina de aulas e correções?
Não é algo que eu consiga fazer sempre, por causa da rotina de aulas, correções e das atividades do dia a dia. Por isso, costumo me dedicar mais em ocasiões especiais, como aniversários e datas comemorativas, como Natal, Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Pais. Para dar certo, preciso me organizar bem: primeiro decido o que vou preparar, depois faço as compras e, muitas vezes, começo a preparar algumas partes antes, congelando o que é possível. Assim, quando chega mais perto da data, separo um dia especialmente para a montagem final.

O que motiva você a manter essa rotina? O que faz não desistir nos dias mais cansativos?
O que me motiva é o prazer que sinto ao cozinhar e ao ver o resultado final. Fazer doces e bolos é algo que me relaxa e me traz muita satisfação. Além disso, é muito gratificante ver as pessoas experimentando e gostando do que eu preparei. Esse retorno positivo acaba sendo um grande incentivo para continuar, mesmo nos dias mais cansativos.

Você sente que essa atividade ajuda a ser uma professora diferente?
Sim, acredito que sim. A confeitaria exige paciência, atenção aos detalhes, organização e criatividade, características que também são muito importantes no trabalho em sala de aula. Assim como na cozinha, ensinar também envolve processo, tentativa e aprendizado. Acho que essa atividade me ajuda a desenvolver ainda mais essas qualidades e isso acaba refletindo na minha forma de dar aula.

Para você, essa atividade funciona como uma “válvula de escape” para se desligar das preocupações diárias?
Sim, acredito que sim. Cozinhar acaba funcionando como uma espécie de “válvula de escape” das preocupações do dia a dia. Ao mesmo tempo, gosto muito de compartilhar esse conhecimento. Já tive a oportunidade de ministrar cursos pela prefeitura e também um curso aqui em casa para um grupo de dez mulheres. Foi uma experiência muito gratificante, e fico muito feliz em saber que algumas delas colocaram tudo em prática e hoje trabalham com doces finos.

Você acha que essa atividade artística reflete traços da sua personalidade?
Sim, acredito que essa atividade reflete bastante da minha personalidade. Sempre fui uma pessoa curiosa e gosto de aprender coisas novas, e a confeitaria me proporciona exatamente isso. A cada receita ou técnica diferente, surge um novo desafio e uma oportunidade de aprendizado.

Você acredita que todo mundo nasce com um dom ou isso é algo que a gente constrói?
Acredito que é algo que se constrói ao longo do tempo. Algumas pessoas podem ter mais facilidade no início, mas desenvolver uma habilidade depende muito de interesse, dedicação e prática. No caso da confeitaria, por exemplo, é preciso aprender técnicas e treinar bastante até alcançar bons resultados.

Que conselho você daria para quem quer começar, mas ainda não teve coragem?
Meu conselho é: comece tentando. No início é normal errar, faz parte do aprendizado. Eu mesma já joguei muitos bolos fora porque não deram certo e, como contei, cheguei a gastar vários quilos de açúcar até aprender o ponto de um doce caramelizado. O importante é não desistir. Com prática, paciência e vontade de aprender, aos poucos tudo vai melhorando.


Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *