Entrevista com a Prof.ª Lorena
Sarah Guimarães de Freitas
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Para começar, gostaríamos que você se apresentasse brevemente para quem não a conhece além da sala de aula e também falasse sobre a atividade que pratica.
Me chamo Lorena e sou professora há quase 15 anos. Sou licenciada em Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e tenho mestrado na área de Educação. Além da sala de aula, também me descobri como papeleira. Hoje, trabalho com papelaria personalizada e crio diversos produtos com o auxílio de algumas máquinas e ferramentas.

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Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?
Felicidade. Quando estou produzindo algum produto, principalmente na parte mais manual, me sinto muito feliz – tanto por causa do processo quanto por saber que aquilo que faço será utilizado por alguém.
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Como essa atividade entrou na sua vida? Foi algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?
Em 2017, quando morava em Cascavel e era coordenadora pedagógica e professora de inglês em uma escola de idiomas, tive uma aluna que comentou durante as aulas que iria iniciar um negócio com plantas. Fiquei curiosa e, por algum tempo, esse acabou sendo um dos assuntos das nossas aulas de conversação. Quando o semestre terminou, ela me presenteou com uma plantinha, um filodendro. Ao mesmo tempo, minha cunhada tinha várias orquídeas em casa e eu sempre ficava encantada com a beleza daquelas flores.
Alguns anos depois, comecei a comprar várias plantas diferentes e, entre elas, muitas suculentas. Muitas mesmo. Eu amava fazer mudinhas, e minha coleção só aumentava. Com o tempo, começaram a aparecer nas minhas redes sociais posts sobre lembrancinhas com suculentas. Eu me apaixonei pela ideia e pensei que aquilo poderia se tornar um negócio. Em 2023, no Dia dos Professores, lancei minhas primeiras lembrancinhas.
Conforme o tempo foi passando, precisei investir em máquinas e ferramentas para me auxiliar na produção. Isso abriu novas possibilidades e me permitiu criar produtos diferentes. Hoje, as suculentas não são mais meu produto principal, mas ainda tenho várias e amo cuidar delas.
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Qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?
Tenho memórias muito boas. Lembro do dia em que comprei minha primeira Silhouette, que é uma máquina de recorte. Fiquei até as cinco horas da manhã cortando papéis. Naquele instante, me encantei completamente com a papelaria.

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Nesse começo, teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?
Tive o apoio de toda a minha família e de amigos. Mas, com certeza, meu esposo é quem mais me incentiva e sempre me incentivou. É comum ele ver os produtos que estou montando e elogiar. Além disso, quando estou com uma grande demanda, ele também me ajuda.
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Tem alguma história engraçada ou um momento marcante que aconteceu por causa dessa atividade que você possa compartilhar com a gente?
Já fiquei na chuva a madrugada inteira montando vasinhos – o que acabou me rendendo uma visita ao médico, porque meus dedos ficaram dormentes por causa do trabalho repetitivo. Também teve uma vez em que fiz um topo de bolo lindo para uma confeiteira, mas ela acabou colocando o topo de cabeça para baixo no bolo. Ficou horrível! Depois ela me contou que a cliente nem percebeu.
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Com que frequência você consegue se dedicar a isso? Como você equilibra a prática com a rotina de aulas, correções e o dia a dia?
Gostaria de ter mais tempo para trabalhar com a papelaria, mas a demanda das aulas e os afazeres domésticos ocupam bastante tempo. O que procuro fazer é aproveitar ao máximo minhas horas-atividade nos colégios para tentar levar o mínimo possível de trabalho para casa.

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O que a motiva a manter essa rotina alternada? O que faz você não desistir mesmo nos dias mais cansativos?
Além de ser algo que me traz tranquilidade e mantém minha mente em paz, tenho o desejo de transformar a papelaria na minha principal fonte de renda.
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Você sente que essa atividade ajuda a ser uma professora diferente? Ela reflete de alguma forma na sua maneira de dar aula?
Sim. Já utilizei materiais que eu mesma criei, mesmo que não sejam exatamente os mesmos produtos que vendo. Consigo usar essa criatividade para desenvolver materiais diferentes para as aulas, o que ajuda a torná-las mais interessantes.
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Para você, essa atividade funciona como uma “válvula de escape” para se desligar das preocupações diárias?
Com toda certeza. Quando estou produzindo, simplesmente não vejo o tempo passar. É um momento em que realmente consigo me desligar dos problemas.

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O que você sente, no corpo e na mente, quando está totalmente imersa na atividade?
Sinto que estou sendo produtiva, exercitando minha criatividade e também aplicando muitos conhecimentos que já tenho – como, por exemplo, a parte matemática – nas produções. Então, além de ser um momento muito prazeroso, também é uma forma de manter a mente ativa.
Em relação ao corpo, não posso negar que, em alguns momentos, é desconfortável ficar muito tempo em frente ao computador ou realizando movimentos repetitivos por longos períodos.
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Você acha que essa atividade artística reflete traços da sua personalidade? Ela ajuda a aprender coisas novas que você não aprenderia no trabalho?
Sempre comento com meu esposo que nunca imaginei ser capaz de produzir os materiais que faço hoje em dia. Também nunca pensei que pudesse ser tão criativa.
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Você acredita que todo mundo nasce com um dom ou isso é algo que a gente constrói? Como as pessoas podem se descobrir nesse sentido?
Já pensei bastante sobre isso e, até hoje, não tenho uma resposta definitiva. Às vezes penso que nascemos com um dom; outras vezes acho que desenvolvemos habilidades com prática. Não sei exatamente como as pessoas podem se descobrir nesse sentido, mas, no meu caso, tudo aconteceu de forma muito natural. O mais importante foi estar atenta aos sinais.

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Que conselho ou incentivo você daria para quem quer começar uma atividade como essa, mas ainda não teve coragem?
Se joga! A papelaria é um universo muito amplo, cheio de possibilidades para explorar. Ela pode começar como um hobby e, com o tempo, até se transformar em uma fonte de renda.
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