De prato salgado medieval a ícone brasileiro: a evolução do manjar

Arthur de Freitas Rossi

Uma das sobremesas mais queridas da nossa gastronomia – daquelas com um marcante gostinho de infância –, o manjar de coco com calda de ameixa carrega uma trajetória surpreendente. Pouca gente imagina que essa iguaria tão cremosa e adocicada tem origens medievais e, em sua primeira versão, era um prato salgado!

Imagem: Receitas Globo.

De prato salgado árabe a ícone da doçaria brasileira

A primeira versão da receita, conhecida como al-manjab, surgiu no mundo árabe e consistia em uma mistura nobre de leite, arroz, açúcar e carne de frango, servida morna. Ao chegar à Europa sob o nome de blancmange (ou “comer branco”), o prato manteve a presença do frango ou de peixe desfiado. Foi apenas com o passar dos séculos que as carnes foram totalmente eliminadas, transformando a receita em uma sobremesa delicada.

Com a colonização, os portugueses introduziram o doce no Brasil. Por aqui, o clima tropical e a abundância de ingredientes locais levaram à substituição do leite de amêndoas pelo leite de coco, conferindo ao doce a brasilidade e a textura aveludada que conhecemos hoje.

Já a calda de ameixa consolidou-se por influência da doçaria tradicional portuguesa, que utilizava com frequência as frutas secas em caldas caramelizadas. O casamento entre o creme suave de coco e o toque levemente ácido e denso da ameixa resultou em uma combinação harmoniosa e atemporal.

Se você ainda não experimentou fazer essa preciosidade em casa, aproveite a receita a seguir!

Imagem: Receitas Nestlé.


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