Letícia Corsini

Gostaríamos que você se apresentasse.
Olá, meu nome é Daniele Serpelloni, sou natural de Rolândia, morei por um bom tempo no Rio de Janeiro onde tive muita bagagem para ser a profissional que eu sou hoje. Sou formada em Economia, amei de paixão esse curso e faria novamente!!! Trabalhei em várias empresas, afiliada da Rede Globo, num grande Banco e em várias outras.

A confeitaria muitas vezes começa como uma paixão ou um hobby antes de virar negócio. Como a confeitaria entrou na sua vida e quando foi o momento em que você percebeu que a “Dani Serpelloni” deixaria de ser apenas um desejo e viraria uma marca e uma empresa real em Rolândia?
Eu falo que a confeitaria foi mais um desejo de Deus do que meu (risos). Eu nunca fui de me envolver com cozinha, mas depois de sair do banco, mesmo querendo voltar, Deus já tinha preparado outra coisa para mim, mas minha formação me deu muita base, a confeitaria é algo de muita precisão, cálculo, concentração e muito estudo. Então, no Rio de Janeiro comecei essa nova profissão, sempre fazendo cursos, aprendendo e me aperfeiçoando.
Na pandemia voltei para Rolândia para ficar com meus pais e vi na cidade a necessidade de algo como a confeitaria. Todos acham que era um sonho, mas nunca foi, veio de muito estudo, análise de mercado, pesquisas… Por 1 ano fiquei analisando a cidade. Eu sou uma pessoa que acredita muito em Rolândia, é uma cidade de muito potencial e pouco explorada e acreditada. Foi aí que surgiu a Dani Serpelloni Experiências Compartilhadas. Por que “compartilhadas”? Por vontade de mostrar meus conhecimentos, meus estudos e tudo que vivi nesse mundo afora, trazendo um pouco do que eu sou, da minha vida, das minhas viagens!!
O início de uma confeitaria costuma exigir muita dedicação e investimento nos primeiros equipamentos e ingredientes. Quais foram os maiores desafios práticos e financeiros que você enfrentou logo nos primeiros meses para conquistar os clientes da região?
Os maiores desafios são a dedicação, ser resiliente, ter coragem de assumir riscos, ser criticada e ainda se manter firme! Por isso que eu sempre falo, um negócio não pode vir de um sonho, porque senão ele vira pesadelo rapidinho; um negócio tem que surgir de muitos estudos, análises de mercado e coragem! Um exemplo: meu sonho é construir foguetes! Estou numa geolocalização estratégica? Vou ter mercado? Mais ou menos isso. (risos)

Na confeitaria, o sabor é fundamental, mas o acabamento e a apresentação dos doces e bolos são o cartão de visitas. Como é o processo de criação e testes das suas receitas para garantir que o produto seja bonito e delicioso ao mesmo tempo?
Aqui nosso foco é qualidade e bom atendimento! Volto na etapa de estudos, cada etapa precisa ser muito bem calculada. Os testes sempre são para calcular custos, tempo de preparo e é onde a mágica acontece! Testar sabores que se combinam, texturas e aceitabilidade.
A rotina da confeitaria tem um ritmo intenso, especialmente em datas comemorativas e finais de semana. Como é a sua rotina de organização do tempo, entre as compras de insumos, a produção na cozinha e a gestão do negócio?
Essa gestão do tempo é difícil, hein (risos). Mas uma coisa que me ajuda é linkar as tarefas do dia para dar um rumo e ir levando ao longo do dia. Sou avessa à rotina: a vida não é uma rotina, não sabemos o que vai acontecer daqui a uma hora, por que tenho que me cobrar tanto sobre isso? Tenho foco, compromissos que são inegociáveis, meta e uma listinha de afazeres. Se alguma coisa não saiu como planejado, reorganizo e sigo. Sou uma pessoa prática, não posso deixar um imprevisto atrapalhar meu dia.

O ramo de doces exige muito cuidado com desperdício, validade e precificação justa. Qual foi a maior dificuldade técnica ou de gestão que você teve que aprender a superar para manter o negócio sustentável e lucrativo?
Controle!! Seja ele uma planilha manual, um sistema eficiente, o que for melhor para mim e para o meu momento. Por isso é muito importante fazer parte do dia a dia do meu negócio, é onde eu vejo isso e conduzo o leme. E claro, também, passar para os funcionários a importância disso. Explicar para eles os custos, como funciona um negócio, deixá-los a par do dia a dia do negócio.
Fazer parte dos momentos especiais da vida dos clientes (como aniversários, casamentos e celebrações) é muito gratificante. Tem alguma encomenda ou história de cliente que marcou a sua trajetória e fez você pensar “valeu a pena todo o esforço”?
Nossa, são tantos momentos que fica até difícil colocar aqui! Mas uma coisa que me deixa muito feliz é quando os clientes falam que encontram a paz quando estão aqui na confeitaria! Num mundo tão corrido, ser um lugar de paz já faz tudo valer a pena.

Olhando para toda a sua caminhada até aqui, se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para você mesma no dia em que decidiu começar a vender seu primeiro doce, qual seria?
Acho que ainda é um conselho que eu me dou todos os dias e que nunca posso esquecer: só eu e Deus sabemos e entendemos quem eu sou, meus objetivos, meu significado de vida e minhas batalhas!
Para finalizar: a Dani Serpelloni Experiências Compartilhadas já é um nome reconhecido na cidade. Quais são os seus próximos grandes sonhos e planos de expansão para a marca e qual mensagem você deixa para os jovens estudantes que querem seguir uma paixão no futuro?
Os próximos sonhos são novos cursos, nunca pare de se aperfeiçoar! Sobre expansão, recebi uma proposta da Havan mas ainda não estou estruturada para aceitar. Nesse conceito de confeitaria que eu abri não cabe muito uma expansão, a qualidade acaba se perdendo e a essência também, então, por enquanto os pés ainda estão bem no chão (risos).
Um conselho: estudem, se comuniquem e não desacreditem da sua capacidade!! Ninguém a não ser Deus sabe dos seus limites!! O mundo está aí para vocês!! Não se limitem!!

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