Entrevista com a Prof.ª Emily
Stefany Vitória Dorta
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Para começar, gostaríamos que você se apresentasse brevemente para quem não a conhece além da sala de aula.
Meu nome é Emily, tenho 28 anos, sou professora de Língua Portuguesa e Inglesa e apaixonada por gastronomia. Fora da sala de aula, gosto de cozinhar, estudar sobre comida e reunir as pessoas que amo ao redor da mesa.
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Sabemos que você gosta de cozinhar. Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?
Paz! Para muitas pessoas, cozinhar é uma obrigação, e de fato é. Mas, mesmo sendo uma atividade trabalhosa e, muitas vezes, sem escapatória, é o momento em que consigo ser criativa, trabalhar a manualidade e, de brinde, agradar quem eu gosto.
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Como essa atividade entrou na sua vida? Foi algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?
Minha família toda gosta muito de cozinhar, então fui influenciada desde a infância. Comecei a aprender de verdade quando minha tia-avó quebrou o braço e precisou morar na minha casa por algumas semanas. Como ela estava impossibilitada de fazer praticamente tudo, ia me orientando, e foi assim que aprendi algumas receitas básicas.
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Qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?
Sem dúvidas, a minha memória mais forte é a frustração de aprender a descascar frutas e vegetais. Até hoje sou péssima nisso e dependo da ajuda do descascador.
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Nesse começo, teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?
Como já disse na pergunta anterior, minha tia foi o ponto-chave. Mas, ao longo do aprendizado, sempre tive ajuda da minha mãe, da minha madrinha, da minha bisavó e, hoje, falo com tranquilidade que o que uniu eu e meu noivo foi esse amor por cozinhar. Desde o primeiro encontro nós cozinhamos juntos. Todas essas pessoas sempre me incentivaram.
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Tem alguma história engraçada ou um momento marcante que aconteceu por causa dessa atividade que você possa compartilhar com a gente?
Acho que, na maioria das famílias, o Natal é uma data que obrigatoriamente envolve muuuuita comida. Na minha, o Natal sempre foi meio conturbado porque os adultos trabalhavam no comércio e nunca sobrava tempo para preparar uma ceia digna da data. Alguns anos depois de aprender a cozinhar, resolvi assumir a responsabilidade pela ceia de Natal da família, com apenas 14 anos! Foi a primeira vez que cozinhei para bastante gente, e foi um sucesso. Desde então essa responsabilidade é minha. Hoje minha avó e minha mãe têm tempo para ajudar, mas quem decide o cardápio sou eu.
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Com que frequência você consegue se dedicar a isso? Como você equilibra a prática com a rotina de aulas, correções e o dia a dia?
Eu cozinho diariamente, mas, aos finais de semana, sempre faço algo especial ou testo uma receita nova. Ao longo da semana também consumo muito conteúdo sobre gastronomia nas redes sociais e, neste ano, comecei a ler alguns dos livros mais clássicos e renomados sobre o tema. Inclusive, já tive leituras excelentes. Existem livros incríveis sobre técnicas e história da gastronomia, que vão muito além dos tradicionais livros de receitas.
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O que a motiva a manter essa rotina alternada? O que faz você não desistir mesmo nos dias mais cansativos?
Acho que cozinhar é uma das poucas atividades em que o resultado depende totalmente de mim. Mesmo quando estou cansada, sei que vou terminar com a sensação de que criei alguma coisa. Além disso, gosto muito de ver a reação das pessoas quando experimentam algo que preparei.
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Você sente que essa atividade ajuda a ser uma professora diferente? Ela reflete de alguma forma na sua maneira de dar aula?
Com certeza. Cozinhar me ensinou que aprender exige paciência, prática e que errar faz parte do processo. Tento levar isso para a sala de aula. Assim como uma receita nem sempre dá certo na primeira tentativa, aprender um conteúdo também pode levar tempo. Acho que isso me tornou uma professora mais paciente.
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Para você, essa atividade funciona como uma “válvula de escape” para se desligar das preocupações diárias?
Com certeza! É o momento em que esqueço dos problemas e exercito a minha paciência.
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O que você sente, no corpo e na mente, quando está totalmente imersa na atividade?
Meu cérebro é bem barulhento na maior parte do tempo. Tenho alguns problemas de concentração e, quando estou cozinhando, é um dos poucos momentos em que consigo me entregar 100% a uma única atividade.
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Você acha que essa atividade reflete traços da sua personalidade? Ela ajuda a aprender coisas novas que você não aprenderia no trabalho?
Com certeza. Desde criança sou obcecada por sabores e comidas diferentes. É meu assunto preferido e um dos principais motivos para reunir pessoas. Estou sempre aprendendo algo novo. Na escola, sempre tive dificuldade em química, e hoje sou praticamente obrigada a entender pelo menos o básico por causa desse hobby.
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Você acredita que todo mundo nasce com um dom, ou isso é algo que a gente constrói? Como as pessoas podem se descobrir nesse sentido?
Acredito que as pessoas desenvolvem interesses de acordo com o ambiente em que estão inseridas. Tendo acesso, curiosidade e prática constante, qualquer pessoa pode se tornar boa em alguma coisa.
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Que conselho ou incentivo você daria para quem quer começar uma atividade como essa, mas ainda não teve coragem?
Não tenha medo de errar. Nem tudo vai ficar bom (até hoje sou uma negação na confeitaria). E acho que todo mundo deveria saber fazer pelo menos o básico, mesmo que não goste da atividade. Cozinhar é uma habilidade para a vida. E, quem sabe, no meio desse processo você não descobre um hobby que vai levar para sempre? Só não vale dizer que não sabe fazer um arroz ou fritar um ovo depois dos 30!
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