Organização, foco e gratidão: os ingredientes de uma paixão

Sofia Vitória Lopes

Eu gostaria que você se apresentasse brevemente para quem não conhece você além daqui da escola.

Meu nome é Matheus, eu trabalho na secretaria do colégio, mas eu sou formado em Gastronomia desde 2013. Desde então, eu faço as duas coisas, trabalho com o administrativo e também faço meus jantares e eventos, cozinhando.

Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?

“Gratidão”, porque é muito prazeroso fazer algo para alguém que vai agradar ao paladar, aos olhos; e cozinhar para alguém sempre é muito bom.

E como essa atividade entrou na sua vida? Tem algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?

Surgiu por acaso na vida adulta. Eu fui fazer um curso de Administração e Hotelaria. E dentro do curso eu tive uma matéria de Gastronomia. A partir desse momento, eu percebi que era uma coisa que eu gostava muito de fazer.

E qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?.

Ah! Acho que a memória mais forte que eu tive, foi cozinhando para minha mãe e para minha tia e vendo que elas ficaram muito orgulhosas de comer algo que eu fiz e estava muito bom.

E nesse começo teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?

Olha alguém que não botou muita fé eu acho que não, mas quem mais me incentivou foi a minha mãe.

Tem alguma história engraçada ou marcante, um momento marcante que aconteceu por causa dessa atividade, que você pode compartilhar com a gente?

Marcante! Marcante foi cozinhar para a embaixada, lá no Uruguai, quando eu fui uma vez, minha amiga mora lá, fez Gastronomia comigo e ela me convidou para fazer um jantar lá no Uruguai, para a embaixada brasileira.

Com que frequência você consegue se dedicar a isso? É como você equilibra a prática com a rotina do trabalho.

Ah, eu normalmente faço de um a dois eventos por mês, quando surge a oportunidade. E eu concilio com o trabalho, porque, normalmente, eu faço em horários opostos: eu trabalho durante o dia e eu faço durante a noite ou nos finais de semana.

O que motiva você a manter essa rotina alternada e o que faz você não desistir mesmo nos dias mais cansativos?

Tirando a parte financeira, que também é boa, é cozinhar mesmo. Fazer, cozinhar, fazer ou preparar um prato para alguém e ver que as pessoas estão gostando e agradecendo é muito prazeroso para mim.

Você sente que essa atividade ajuda a ser uma pessoa diferente? Ela reflete de alguma forma na sua maneira de ver a vida?

Sim, principalmente na etapa de organização. A cozinha tem que ter tudo organizadinho e eu trago isso para minha vida também, deixando tudo muito organizado.

Para você essa atividade funciona como uma válvula de escape para se desligar das preocupações diárias?

Não, não. 

E o que você sente no corpo e na mente quando está totalmente imerso na atividade?

Foco, sou muito focado e agradecido por estar fazendo isso para alguém, mesmo que seja financeiramente.

Você acha que a gastronomia reflete traços da sua personalidade? Ela ajuda a aprender coisas novas que você não aprenderia no trabalho?

Sim, com certeza. Até a questão de línguas, cultura de outros lugares que são diferentes daqui. Então, com certeza.

Você acredita que todo mundo nasce com um dom ou isso é algo que a gente constrói? Como as pessoas podem se descobrir nesse sentido?

Eu acho que existe os dois. Acho que você pode nascer com um dom, sim. Mas se você se dedicar e estudar bem, você consegue transformar isso também em algo que não seja só um dom, você aprende também.

Um conselho ou incentivo que você daria para quem começa uma atividade como essa, mas ainda não teve coragem?

Eu acho que você pode começar a fazer isso em casa, mesmo que você talvez não tenha condições de fazer um curso. Hoje em dia, tem redes sociais, você pode ir atrás também. Por isso, o meu conselho é não desistir e começar devagar aos poucos.


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