Liberdade entre palavras

Entrevista com a aluna Ana

Julia Rodrigues dos Santos da Silva

Julia Rodrigues

Entrevista com Ana

Para começar, gostaríamos que você se apresentasse brevemente e também falasse sobre a atividade que pratica.

Ana, 16 anos, novata na escola, mas conhecida por ser esforçada. Adoro ler para escrever. Quando leio, me sinto inspirada; e quando acontece algo no meu dia, um pensamento, um sentimento, o coloco por escrito em um papel ou bloco de notas do celular mesmo.

Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?

Liberdade. Com a escrita eu não tenho limites, principalmente as que ninguém leem, posso falar o que quiser, pensar o que quiser, ser formal, informal, escrever corretamente, de forma errada, que ninguém vai saber; só eu, e o papel.

Como essa atividade entrou na sua vida? Foi algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?

Foi instantâneo, quando comecei a ler, me interessei muito por livros que falam de sentimentos, como romance e poesia. A maneira como comparam os sentimentos com outras coisas e palavras me chama muita atenção, com isso, ficava pensativa; e comecei a escrever coisas que vinham na minha mente. Com o tempo, isso virou uma maneira de distração e conforto também.

Qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?

Eu escrevia e alguns textos e frases eu mostrava para meus amigos e professores. Quanto mais eles falavam que eu levava jeito… Lógico, não sou nenhum William Shakespeare, mas eu queria escrever e sentia que eu amava fazer isso e, no final, ler meu poema ou texto completo e me surpreender com o que escrevi.

Nesse começo, teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?

Não me lembro de alguém ter dito que eu escrevia mal, ou não levava jeito. Então, nunca me importei com coisas negativas. Pelo contrário, às vezes, só de escrever algo em atividade escolar, como redação ou qualquer outra coisa do dia, professores e amigos elogiavam minha maneira de escrever e eu adorava.

Tem alguma história engraçada ou um momento marcante que aconteceu por causa dessa atividade que você possa compartilhar com a gente?

Não uma história engraçada, mas sim uma curiosidade interessante. Quando falo normalmente com família, amigos e outras pessoas, costumo falar muito rápido, gaguejar e até errar as palavras. Minha dicção não é das melhores, mas quando vou escrever uma redação, um poema, uma carta ou só trocar mensagens com alguém, normalmente não costumo errar muita coisa tanto quanto na fala. Escrevo palavras corretamente, com acentos e tudo mais.

Com que frequência você consegue se dedicar a isso? Como você equilibra a prática com a rotina de estudos e o dia a dia?

O meu hábito de escrever à toa não é contínuo. Só quando estou inspirada ou sinto vontade mesmo. Mas quando vou estudar antes de alguma prova, às vezes, eu noto que eu começo a fazer resumos ou escrever palavras-chave para estudar e lembrar. Então, é meio automático. Até mesmo por mensagens, e enquanto escrevo as respostas desta entrevista. Mas isso é algo que qualquer um faz, e todo dia, trocando mensagens, escrevendo em redes sociais, fazendo comentários em vídeos etc.

O que a motiva a manter essa rotina alternada? O que faz você não desistir mesmo nos dias mais cansativos?

Escrever é como uma terapia, então, mesmo nos dias mais cansativos, eu escrevo, justamente para me sentir mais leve.

O que você sente, no corpo e na mente, quando está totalmente imersa na atividade?

Sinto liberdade, como falei antes, posso ser e fazer o que eu quiser com as palavras quando estou escrevendo para mim mesma. Na mente, eu sinto alívio por poder colocar pra fora tudo o que estou pensando.

Você acha que essa atividade artística reflete traços da sua personalidade?

Não sei ao certo, nunca parei para pensar sobre isso, mas acho que, com esse hábito de estar sempre escrevendo e lendo, pode sim aumentar nosso vocabulário e com isso podemos e conseguimos nos expressar e conversar mais claramente, seja com quem for, até com seu bloco de notas.

Que conselho ou incentivo você daria para quem quer começar uma atividade como essa, mas ainda não teve coragem?

Confiança e leveza: é algo simples que qualquer um pode fazer e pode ser usado de diversas maneiras.


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