Transformações na comunicação com a evolução tecnológica

Em meados da década de 1990, quando a internet começou a se popularizar, a sociedade passou a se sentir, em certa medida, assombrada pelas perspectivas que surgiam diante de seus olhos. Na verdade, desde que o mundo passou a conviver com chamadas “novas” tecnologias – muitas das quais hoje já se encontram obsoletas –, transformações marcantes vêm sendo observadas na forma como vivemos.

Sempre que isso acontece, torna-se evidente o quanto as ferramentas que criamos interferem em nosso cotidiano: não apenas no que fazemos, mas também no que pensamos, dizemos e compartilhamos. De modo particular, a comunicação tende a se transformar de maneiras que nem sempre conseguimos prever.

O telefone, por exemplo, diminuiu distâncias ao possibilitar a comunicação em relações mais pontuais e privadas, permitindo que pessoas geograficamente distantes se conectassem com maior rapidez. O rádio, por sua vez, passou a ocupar um espaço significativo em uma sociedade historicamente marcada pelo privilégio da escrita como principal modalidade de linguagem. Cada um desses meios apresentava suas próprias particularidades: enquanto o telefone atendia a interações diretas e imediatas, o rádio se consolidava como um veículo voltado à informação, ao entretenimento e ao debate de ideias.

Com o rádio, a oralidade ganhou ainda mais destaque em uma sociedade que podemos caracterizar como grafocêntrica. Tornando-se um meio de comunicação popular, ele exigia que a fala, por si só, fosse capaz de suprir aquilo que estava ausente: a imagem. Ouvir um jogo de futebol pelo rádio, por exemplo, é uma experiência singular, em que a linguagem precisa construir mentalmente aquilo que não se vê.

Posteriormente, com a invenção da televisão, ao lado da oralidade, o visual passou a assumir papel central. Esse movimento contribuiu para que a sociedade começasse, gradativamente, a valorizar discursos de natureza multimodal – aqueles que articulam palavras, sons e imagens. Décadas depois, com o surgimento do computador e, mais adiante, da internet, uma nova revolução na linguagem se estabelece: no momento em que cada usuário passa a ser também produtor de conteúdo, a multimodalidade torna-se um princípio organizador da comunicação.

Hoje, com o avanço das Inteligências Artificiais, testemunhamos mais uma transformação significativa. Trata-se, agora, de uma mudança que incide diretamente sobre a produção de conteúdos, uma vez que tarefas antes realizadas exclusivamente por seres humanos passam a ser executadas por sistemas automatizados, redefinindo práticas, papéis e modos de interação.

Ao observar esse movimento contínuo de transformação, especialmente no campo da linguagem, torna-se indispensável refletir sobre como essas tecnologias são incorporadas aos processos de ensino, aprendizagem e comunicação. As Inteligências Artificiais, ao automatizarem etapas da produção de conteúdo, colocam novos desafios para a formação dos sujeitos, exigindo não apenas domínio técnico, mas também leitura crítica, responsabilidade e compreensão dos modos como a linguagem se constrói em contextos digitais.