Empreender: a coragem de começar sem saber o fim

O que uma cafeteria com nome de avô, uma confeitaria nascida de uma falência, xaropes inspirados numa soda italiana e cookies batizados por personagens de livro têm em comum? À primeira vista, nada. Mas ao conversar com quem está por trás desses negócios, uma coisa fica clara: todos começaram pequenos, incertos e, principalmente, corajosos.

Nesta edição, fomos atrás de seis histórias de empreendedores da nossa cidade, de Londrina e de Cascavel, para entender o que realmente significa empreender. E a resposta que encontramos não tem nada a ver com sorte ou com um momento perfeito de “virada”. Tem a ver com gente que decidiu agir mesmo sem ter todas as respostas.

Karina e Thiago, do Kayera’s Café, abriram seu negócio com apenas R$ 14 mil, quando o mercado dizia que o ideal seriam R$ 100 mil. No primeiro ano, vaporizavam leite em fogão de indução. André, da Doce Tardê, recomeçou depois de uma falência e hoje comanda uma confeitaria que quadruplicou o faturamento em seis meses. Sandro, do Doce Sabor Café, teve uma inauguração tão concorrida que quase não deu conta de atender todo mundo; e, 14 anos depois, segue de pé e de olho numa expansão para virar restaurante.

Dani Serpelloni trocou a estabilidade de um banco por uma confeitaria construída com muito estudo, porque, como ela mesma diz, “negócio que nasce só de sonho vira pesadelo rápido”. E Augusto, fundador da Soltanto, que era atleta de futebol de base e transformou uma lembrança de infância (uma soda italiana experimentada por acaso) em uma marca que hoje abastece mais de 15 estabelecimentos.

Cada trajetória é diferente, mas todas revelam uma verdade parecida: por trás de cada produto bonito no balcão, existe uma rotina invisível feita de testes, erros, contas apertadas e muita persistência. A Baudelaire, por exemplo, começou como um item extra no cardápio de dois estudantes de Letras e hoje atrai clientes de outros estados, mas seus donos são os primeiros a admitir que a fama trouxe também o peso de gerir expectativas que às vezes parecem impossíveis de atender.

Mais do que vender doces, cafés ou bebidas, esses empreendedores parecem compartilhar um mesmo objetivo: criar algo que se torne parte da vida das pessoas. Um bolo de aniversário que vira lembrança de família. Um café que se transforma em ponto de encontro. Um xarope que carrega orgulho e propósito. Isso é o que fica quando a novidade do produto passa.

Para nós, estudantes, essas histórias são um convite. Elas mostram que não é preciso ter tudo resolvido para começar – é preciso ter disposição para aprender, errar, se adaptar e, principalmente, acreditar. Como bem resumiu uma das entrevistadas: “o mundo está aí, e ninguém, além de nós mesmos, sabe do que somos capazes”.

Que estas seis histórias sirvam de inspiração para os sonhos que ainda estão apenas no papel – os nossos e os de quem está ao nosso redor.


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