Quando as mãos criam, a vida se transforma

Entrevista com a mãe convidada, Sr.ª Lenira

Ágatha Rafaela Martins

Para começar, gostaríamos que você se apresentasse brevemente e falasse sobre a atividade que pratica.

Meu nome é Lenira e para mim é um prazer estar dando essa entrevista para vocês, para que venha mesmo incentivar mais pessoas a fazer o artesanato. O artesanato ajuda muitas pessoas que muitas vezes estão numa depressão, que muitas vezes estão sentindo solidão. O artesanato ajuda muito. Eu comecei fazendo como uma renda, um meio de ganhar um dinheiro para comprar algumas coisas para mim.

Se você tivesse que descrever o que sente ao fazer essa atividade em apenas uma palavra, qual seria e por quê?

Olha, fazer o artesanato para mim é uma alegria, você poder pegar um tecido e construir algo que você pode vender, pode presentear… Eu gosto muito de fazer bonecas de pano, gosto de fazer guardanapos. Faço também crochê, pintura, costuro e faço bordados. Então, são coisas, que me deixam muito feliz: pegar uma toalha e bordar essa toalha, poder pegar e fazer um bico de crochê em um guardanapo.

Como essa atividade entrou na sua vida? Foi algo que veio da infância ou surgiu por acaso na vida adulta?

Quando eu comecei a fazer artesanato, eu senti que eu precisava fazer algo para me alegrar, para me animar, foi quando eu comecei a fazer a pintura em tecido. Comecei a pintar guardanapos e como eu gostei, comecei a vendê-los e com o dinheiro dos guardanapos consegui comprar uma máquina. Então, comecei a costurar e a fazer roupinhas de neném, mantas e fraldas também. Foi assim, pelo motivo de querer fazer algo, querer fazer alguma coisa para me alegrar mesmo.

Qual é a memória mais forte que você tem dos seus primeiros dias desenvolvendo esse talento?

Para mim, foi muito gratificante participar por um tempo de um projeto que ajudava crianças a aprender a pintura. E eu pude fazer parte desse projeto, ajudar outras crianças a aprender. Eu tirava um dia da minha semana e ia lá e ensinava as crianças, e aquilo para mim era muito gratificante. Eu ficava muito feliz de ver as crianças aprendendo e eu ali ensinando. Gostei muito, foi um momento muito feliz na minha vida.

Nesse começo teve alguém especial que te incentivou ou alguém que não botou muita fé? Como você lidou com isso?

Olha, sempre tem quem incentiva, mas sempre tem também quem muitas vezes fala: “isso não vai dar em nada”, mas você não pode deixar isso entrar na sua mente. Sempre vai ter o positivo e o negativo, mas, se você está gostando, tem que ir para cima, não pode dar ouvido a muitas opiniões, você tem que ter a sua opinião formada e fazer aquilo que você gosta.

Com que frequência você consegue se dedicar a isso? Como você equilibra a prática com a rotina de aulas, correções e o dia a dia?

Quando eu me interesso em algo, em fazer alguma coisa, eu sempre procuro fazer na parte da noite, depois que eu já fiz o meu trabalho. Depois que já acabou o meu dia, eu tiro um tempo da parte da noite para eu me aperfeiçoar naquilo que eu gosto, como fazer uma pintura, porque às vezes de dia é corrido, principalmente para gente que é dona de casa: tem almoço para fazer, roupas para lavar, casa para limpar, filhos (muita das vezes para levar para a escola). Então, eu procuro sempre tirar um horário na parte da noite, depois que eu já fiz a janta, aí estou mais tranquila e tiro esse tempo. Vamos supor: das 20h até as 22h, reservo para me dedicar àquilo que quero aprender.

O que a motiva a manter essa rotina alterada? O que faz você não desistir mesmo nos dias mais cansativos?

Eu penso assim: “se eu comecei, eu não posso desistir”. Porque eu penso comigo que, se eu desistir, é como se eu estivesse anulando tudo aquilo que eu aprendi, assim, eu procuro aprender mais, procuro pesquisar mais sobre o que eu gosto, mas desistir eu não tenho isso na minha mente, desistir daquilo que eu estou aprendendo, não.

Você sente que essa atividade ajuda a ser uma pessoa diferente?

Eu acredito que existam muitas pessoas assim como eu que gostam de fazer artesanato, por isso, não me sinto como uma pessoa diferente, me sinto uma pessoa curiosa, porque sou bem curiosa, se eu ver algo como, por exemplo, uma roupinha, eu falo: “acho que consigo fazer isso”. Eu vou lá e tento fazer, eu sou bem curiosa. Pode ser que seja um pouco diferente, mas não me vejo como uma pessoa diferente não.

Para você, essa atividade funciona como uma “válvula de escape” para se desligar das preocupações diárias?

Aaah, sim! Quando você está fazendo seu artesanato, você viaja. Você começa a fazer planos, porque você vê que é algo que você está fazendo que você pode vender, pode presentear. Por isso, você começar a planejar algumas coisas e acaba tirando o foco das outras coisas ruins, você começa a viver uma coisa boa.

O que você sente, no corpo e na mente, quando está totalmente imersa na atividade?

Como eu já falei, o artesanato é muito bom para a mente, mas para o corpo, dependendo do que você, vai fazer pode ser cansativo, porque existem vários tipos de artesanato: artesanato com madeira, artesanato com reciclagem, então, vai depender do que você vai fazer, mas eu acredito que sim, é muito bom para a mente. Como eu falei, é prazeroso pegar algo e construir algo, pegar um tecido e transformar em uma boneca ou pegar uma linha e bordar uma toalhinha. É algo que te deixa alegre, te deixa feliz… é prazeroso.

Você acredita que todo mundo nasce com um dom, ou isso é algo que a gente constrói? Como as pessoas podem se descobrir nesse sentido?

A respeito dos dons, eu acho que todo mundo consegue. Não digo que é um dom, mas eu acho que quando você quer, você consegue, porque não é uma coisa que não tem como aprender, se a pessoa quiser ela aprende. Tem muitos meios hoje para aprender, principalmente a internet tem muitos vídeos sobre costura, sobre pintura etc. Hoje eu acredito que não só aprende mesmo se não se dedicar, mas não acredito que seja um dom, tem pessoas que se dedicam mais e pessoas que se dedicam menos.

Que conselho ou incentivo você daria para quem quer começar uma atividade como essa, mas ainda não teve coragem?

Eu acredito que a pessoa que não tem coragem está perdendo tempo, porque, como estou falando, às vezes ela pode de um simples artesanato ganhar dinheiro, ou ela pode presentear a mãe, presentear uma tia ou uma vó. Eu super-incentivo as pessoas a procurarem fazer algo sim, algo que traz prazer para suas vidas por meio do artesanato.


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