Ágatha Rafaela Martins e Felipe Martins da Silva
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Gostaríamos que você se apresentasse e falasse sobre sua formação acadêmica.
Meu nome é Douglas, 21, graduando em Licenciatura em Física pela Universidade Estadual de Londrina e sou professor da rede estadual.

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Integrar a tecnologia na rotina escolar já é uma realidade nos colégios. Para você, quais são os maiores desafios na implementação das tecnologias e da Inteligência Artificial (IA) na sala de aula?
Grande parte dos professores ainda não possuem contato com as novas tecnologias, ou mesmo que conheçam, não possuem instrução suficiente para implementar as novas ferramentas no contexto educacional. A inteligência artificial, em particular, é uma ferramenta recentemente descoberta pelos educadores e ainda não é bem vista como ferramenta educacional pelo seu mau uso por parte dos estudantes, que também poderiam ter instruções sobre como usá-la. Além disso, nem todo colégio tem infraestrutura para a implementação de novas tecnologias.
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Como você avalia que o ensino de Robótica para adolescentes influencia o raciocínio lógico e o desenvolvimento deles? Você acredita que este estudo pode impactar no dia a dia e na vida dos alunos?
O ensino de Robótica deve estimular o aluno a fazer observações e formular hipóteses, a realizar testes, a construir raciocínios lógicos, a aplicar teorias e a realizar conclusões, a desenvolver o pensamento computacional, a desenvolver habilidades sociais ao trabalhar em grupos, a estimular sua criatividade, entre diversas outras coisas. Trata-se de uma disciplina em grande parte experimental, com o protagonismo do próprio aluno, o que pode atrair sua atenção.
Por outro lado, a falta de participação do aluno compromete seu desenvolvimento e arruina o propósito da disciplina. Frequentemente, alunos desistem dos projetos na primeira falha encontrada, quebrando o processo de formação do raciocínio lógico e quaisquer outras habilidades desenvolvidas. Acredito que, para o aluno, as aulas de Robótica podem fazê-lo enxergar as coisas de uma nova maneira, compreendendo o funcionamento de diversos dispositivos eletrônicos em casa, na escola ou em qualquer outro lugar, relacionando os conteúdos que aprende na escola com seu cotidiano, dando sentido a aquilo que aprende na escola.
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Ao observar os alunos utilizando a IA e a tecnologia, o que mais lhe surpreende na forma como eles lidam com robótica e programação?
Já observei alguns alunos fazendo uso da IA para resolver problemas de programação, utilizando a ferramenta para encontrar um erro na programação e descobrir como consertá-lo. Apesar disso, também há alunos que não aproveitam a IA para aprender, somente para resolver os problemas que lhe incomodam, ou que têm preguiça de resolver, substituindo seu pensamento lógico pela máquina.

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A tecnologia tem se tornado cada vez mais presente em nossa vida, principalmente no ambiente escolar. Na sua opinião, quais são os maiores benefícios e malefícios dessa tecnologia na vida dos estudantes?
Tudo depende da maneira que o aluno utiliza a tecnologia. Quando seu raciocínio caminha junto com a ferramenta tecnológica, o aluno pode aprender com ela, mas quando o aluno substitui a própria capacidade cognitiva pela tecnologia, nada é aprendido. Existem diversas ferramentas educacionais como softwares, sites e a própria inteligência artificial, que, se instruídas, podem ser bem utilizadas tanto pelos professores quanto pelos alunos. Pelo lado positivo, essas ferramentas podem ajudar o aluno a entender o conteúdo por meio de gráficos, imagens, simulações entre outras coisas, porém, se não usadas corretamente, essas ferramentas podem se tornar uma distração para o aluno.
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Com a constante mudança e evolução da tecnologia, o que você considera ser o aspecto mais desafiador para os adolescentes em termos de compreensão e aprendizado dos novos conhecimentos?
A tecnologia tem se tornado cada vez mais uma distração aos alunos. Conciliar o uso das tecnologias com o aprendizado é difícil e requer cuidado para que não se torne uma ferramenta nociva ao aprendizado dos alunos. Acredito que a disputa entre a tecnologia e o aprendizado pode ser um fator que comprometa o desenvolvimento dos alunos, que estão acostumados em consumir conteúdo com muitas informações rápidas, gerando alunos com cada vez mais dificuldade de concentração e dependência da tecnologia.
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Muitos adolescentes têm tido problemas com o uso inadequado da tecnologia, especialmente da Inteligência Artificial. Você acredita que o estudo da Robótica pode mudar a maneira como eles pensam e utilizam a tecnologia e a IA de forma mais positiva? De que maneira isso poderia ocorrer?
Dificilmente isso poderia ocorrer, mas em algumas aulas já observei alunos recorrendo a IA para encontrar erros de programação e descobrir como consertá-los, aprendendo no processo. Apesar disso, ainda acho difícil que essas exceções façam os alunos mudarem a maneira de usar a IA ou quaisquer outras tecnologias, pois frequentemente não conseguem se concentrar para resolver os problemas que surgem. Apesar disso, a IA é uma ótima ferramenta para o aluno aprender programação e que, se for bem instruída, pode ajudá-lo a entender os problemas que surgirem.

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Com o avanço da Inteligência Artificial, muitas coisas têm mudado. O que você prevê que ela poderá fazer quando estiver em uma forma mais aprimorada? Você acredita que ela substituirá empregos e se tornará um auxílio frequente no cotidiano?
Acredito que haverá regulação das Inteligências Artificiais. Pode ser que em algum momento a ferramenta possa se tornar poderosa e ser usada para cometer crimes. Acredito que a ferramenta poderá eventualmente assumir funções de menor risco que tenham a confiança humana, mas que apesar do seu custo e da falta de criatividade, não se tornará totalmente substitutiva. No cotidiano, muito provavelmente será uma ferramenta frequentemente usada para resolver problemas que tomem muito tempo e que podem ser resolvidos facilmente.