Expectativas, descobertas e sonhos

Ágatha Rafaela Martins, Julia Rossini Nunes, Mel Emanuele Coutinho e Sabrina Brito de Santana

Com o intuito de celebrar os 50 anos de nosso colégio, realizamos entrevistas com oito alunos do 6º ano. Tratam-se de crianças de uma novação geração, que estão começando a construir sua história dentro de nossa escola. Estudantes que, daqui a seis anos estarão terminando o Ensino Médio e se preparando para o mundo acadêmico e profissional.

Cada entrevistado representa as vozes daqueles que estão conhecendo o Villanueva. São crianças que já estão se destacando em suas turmas e foram indicados pelas professoras Silvana (Língua Portuguesa) e Giovana (Matemática). São eles: João Pedro Kauffman B. de Oliveira (6º A), Heloise M de Oliveira Costa (6º D), Amanda Gomes Gereia da Silva (6º A), Felipe Martins da Silva (6º B), Joao Vitor Cordeiro Almeida (6º A), Sofia Mandroti da Silva (6º D), Eloisa Emanuelly C. Ferreira (6º C) e Isabele Araújo Ventura (6º B).

Da esquerda para a direita: (em pé) Heloiza, João Pedro, Heloise, Amanda, João Vitor, Eloisa, Sofia, Felipe e Marcio; (agachadas) Sabrina, Mel e Julia.

Ao longo das entrevistas feitas com estudantes do 6º ano, foi possível perceber que cada chegada ao colégio carrega um pouco de expectativa, curiosidade e, claro, muitos sonhos. Vieram de diferentes escolas e histórias: João Pedro e Amanda estudavam na Escola Municipal Parigot de Souza; Heloísa, na Escola Municipal Garrastazu Médici; João Vitor saiu da Escola Municipal Maria do Carmo; Sofia chegou até de outro estado, lembrando que estudava na Escola Estadual Rage Anderaos, em Nantes (SP); Eloisa veio da Escola Municipal Sebastião Feltrin; Felipe e Isabele, mais uma vez, vieram “lá do Parigot”. Cada nome traz junto um passado recente e a sensação de estar começando algo novo.

Quando questionados sobre medos ou ansiedades no início do ano, muitos garantiram não ter sentido receio algum. “Não tive nenhum”, repetiram João Pedro, Heloísa e Amanda. Mas parte do grupo assumiu que o desconhecido trouxe alguma tensão. Felipe contou que temia “não se sentir seguro na sala” e ficar longe dos amigos, além de não saber se os professores seriam acolhedores. Depois, tudo mudou: “Quando eu cheguei aqui, eu fui bem recebido”. Sofia concordou, dizendo que também se sentiu nervosa por não conhecer ninguém. Já Isabele admitiu que temia não se adaptar e também ficar longe das amigas. E, para Eloisa, o receio vinha das regras e da dúvida sobre conseguir fazer novos amigos.

Sobre como imaginaram que seria a recepção, muitos afirmaram que as expectativas foram atingidas “mais ou menos”. João Pedro disse que “tem coisa que não alcançou [suas expectativas], mas tem coisa que sim”. Amanda relatou que foi bem recebida e achou os professores bons. Felipe disse que tudo aconteceu como imaginava, e Sofia destacou a simpatia dos docentes. Parte das falas, porém, apontou que alguns professores são mais rígidos, o que pode gerar insegurança. Ainda assim, o geral foi positivo.

Quando descrevem o colégio, as opiniões convergem para algo parecido: um ambiente bom, acolhedor, com professores dedicados. João Pedro destacou “a merenda, os professores, a equipe pedagógica… tudo”. Felipe afirmou que só imaginava que a escola fosse maior, mas reforçou que a qualidade é boa. Sofia confessou que pensava que seria tudo “mais rígido, por ser um colégio ‘militar’”. E Isabele observou que gosta muito do ensino.

Isabele e Felipe.

A convivência em sala também rendeu reflexões. A maioria afirmou ter uma relação tranquila com os colegas. João Pedro resumiu: “A nossa convivência é boa”. Felipe disse que, no início, tinha muitos amigos, mas alguns saíram da escola; e isso mudou um pouco seu círculo social. Mesmo assim, ele afirmou sentir-se bem, embora a turma seja “meio bagunceira”. Sofia contou que sua primeira amizade surgiu de uma coincidência: a colega morava na mesma rua. E Eloisa destacou que, mesmo com brigas pontuais, “a turma foi criando um vínculo bem legal”.

Sobre preparação para o futuro, alguns alunos acreditam que a escola pode ajudar mostrando conteúdos novos ou oferecendo conselhos que vão além das matérias. Felipe defendeu que o colégio deveria ensinar “como conviver em sociedade”, e Isabele reforçou que temas importantes, como assédio e problemas sociais, poderiam ser mais discutidos. Para Sofia, o colégio já oferece disciplinas que ela não tinha na escola anterior, o que considera um avanço.

Quando o assunto é futuro acadêmico, quase todos pretendem continuar estudando, com sonhos bem definidos: João Pedro quer ser jogador de vôlei; Heloísa, advogada; Amanda sonha em ser modelo; Sofia e João Vitor também pretendem seguir estudando. Isabele revelou desejar Medicina. Felipe, por outro lado, imagina outro caminho: quer ser artista e criador de conteúdo e acredita que talvez não faça faculdade, embora considere fazer cursos.

Ao imaginar uma conversa com eles mesmos no 3º ano do Ensino Médio, muitos não souberam o que perguntar. Amanda gostaria de saber se tudo fica “mais difícil ou mais fácil”. Sofia perguntaria se conseguiu alcançar seus objetivos. Eloisa também se questionaria sobre metas e mudanças de pensamento. Já Isabele fez comentários sobre o ensino, dizendo que alguns métodos ainda precisam melhorar.

Essa percepção reapareceu quando falaram sobre a qualidade das aulas. Alguns acreditam que a escola já oferece tudo o que precisam; porém, Felipe e Isabele enfatizaram a necessidade de mais aulas práticas e menos cópia do quadro. “Do jeito que está, não estimula muito a querer ir pra aula todo dia”, disse Felipe, defendendo um ensino mais “humanizado”. Sofia e João Vitor concordaram.

Ao serem questionados sobre aspectos do colégio que poderiam melhorar, muitos disseram que nada precisava ser mudado. Mas Felipe destacou que o modelo de ensino está “ultrapassado”, enquanto Isabele mencionou regras que considera desnecessárias, como a do cabelo preso.

Por fim, falaram sobre expectativas para o futuro do colégio. Alguns não souberam responder. Felipe espera que a escola “evolua mesmo e se torne mais do que já é”. Sofia sonha em um dia poder contar aos filhos sobre a boa convivência que teve ali. Isabele acredita que, com as reformas, o colégio ficará “mais confortável” e que o ensino vai acompanhar essas mudanças.

Entre opiniões diversas, um ponto fica evidente: cada aluno carrega consigo dúvidas, críticas, elogios, esperanças. E todos desejam, à sua maneira, que o colégio cresça junto com eles.